Recentemente, recebi um relato que ilustra perfeitamente essa dor atual: “Ela busca direção em mentorias e coaches; eu busco na igreja os meus valores, e não está dando certo”. Esse é o retrato de muitos lares onde, embora exista afeto, não existe unidade de propósito. E a verdade é nua e crua: é impossível chegar ao mesmo lugar trilhando estradas diferentes.
O Perigo das Estradas Diferentes
O conflito não surge apenas quando um é religioso e o outro não. Ele acontece, muitas vezes, dentro da mesma fé. Quantas vezes vemos casais na mesma denominação, mas com percepções de Deus, de relacionamento e de prioridades completamente distintas?
Essa desconexão pode nascer de uma expectativa irreal alimentada lá no namoro — aquela ideia de que “com o tempo ele(a) muda” — ou pode surgir no meio da jornada, quando um dos dois se converte ou muda radicalmente suas convicções. Quando isso acontece, o casal entra no que chamamos de jugo desigual.
“O jugo é aquele suporte de madeira que une dois bois para que arem a terra no mesmo sentido. Se um quer ir para a direita e o outro para a esquerda, eles não avançam; eles apenas patinam, se cansam e se ferem.”
Quando o Desenvolvimento Pessoal se Torna um Ídolo
Vivemos uma era de encantamento com mentorias e coaches. Eu sou psicóloga e master coach, e sei o valor dessas ferramentas para o desenvolvimento humano. O problema não é a ferramenta, mas a hierarquia.
Muitas mulheres têm se perdido nessa busca de desenvolvimento pessoal, colocando conceitos humanos acima de suas convicções maiores. Quando uma mentoria ou um método de performance passa a ditar a direção da vida de um cônjuge, ignorando os princípios bíblicos que o outro preza, o desequilíbrio é inevitável. O desenvolvimento pessoal deve servir à sua vida espiritual, e não substituí-la.
O Papel de Quem Está “Mais Perto de Deus”
Se você sente que seu cônjuge está “aquém” de você na vida espiritual, ou que ele se perdeu em novas ideologias, sua responsabilidade aumenta. A reação natural é a cobrança, a pressão e a imposição. Mas a própria Palavra nos ensina que não é por força nem por violência.
“Aquele que está mais próximo de Deus precisa ter sabedoria para não afastar ainda mais o outro. O desafio é ser um imitador de Cristo: servir antes de ser servido e ter um olhar de compaixão.”
Se você teve um encontro genuíno com Cristo ou mantém sua fé firme, o seu cônjuge deve olhar para você e ver alguém melhor. Se a sua “espiritualidade” te torna uma pessoa mais amarga, autoritária ou impaciente, você não está atraindo o outro para Deus; você o está repelindo. O seu papel é mostrar que a sua convicção vale a pena através de uma vida que transborda perdão, escuta e amor.
O Manual de Regra e Fé
Muitas pessoas dizem: “Eu sou cristão, mas tenho minhas próprias convicções”. Isso é uma contradição. Se somos cristãos, nosso manual é a Bíblia. Não podemos ajustar Deus às nossas preferências ou interpretações particulares para justificar comportamentos que dividem o lar.
O cristianismo não é nominal; ele é prático. Ele aparece na disposição de priorizar o outro e de sentar à mesa com a mesma visão.
Conclusão: Alinhando o Passo
Um casamento de sucesso — o projeto original de Deus — não é apenas permanecer casado. É permanecer satisfeito, apaixonado e caminhando na mesma direção. Para isso, é preciso:
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Definir convicções firmes: Sem saber no que vocês creem, qualquer vento de doutrina ou moda de internet vai desviar o caminho.
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Buscar o alinhamento: Entrar sob o mesmo “jugo” para arar a terra juntos.
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Colocar Cristo no centro: Quando Ele é a referência de conduta para ambos, 80% dos problemas de comunicação e finanças se resolvem naturalmente.
Não se contente com um casamento mediano. Busque a plenitude de caminhar lado a lado, com a mesma visão, rumo ao mesmo destino.
*** Se este texto fez sentido para você, compartilhe com outro casal que precisa alinhar o passo. Vamos juntos construir casamentos acima da média.



